Revisão Razer Kishi Ultra: a verdadeira experiência de console no celular e iPad Mini

O Razer Kishi Ultra não tenta ser o controle mais portátil do mercado, mas sim o mais confortável. Ele é feito sob medida para jogadores exigentes que abandonaram os gamepads compactos em favor de uma pegada robusta, de tamanho real, semelhante à de um console de mesa. Se você joga ativamente no Android, no PC ou quer transformar um iPad Mini em um verdadeiro videogame portátil, este é um dos hardwares mais competentes disponíveis hoje. Por outro lado, se você prioriza colocar o controle no bolso da calça ou é um usuário de iPhone que não abre mão de recursos de vibração nativos, este investimento pode ser frustrante.
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Prós
- Conexão USB-C direta elimina o atraso (input lag) em jogos competitivos e em nuvem.
- Pegada de tamanho real (full-size) oferece ergonomia idêntica à de um console de mesa.
- Permite carregar o dispositivo e usar fones com fio (P2 de 3,5 mm) simultaneamente.
- Haste expansível grande o suficiente para acomodar o iPad Mini e tablets de até 8 polegadas.
Contras
- Analógicos usam potenciômetros tradicionais e estão sujeitos a desgaste físico (drift) futuro.
- Vibração háptica Sensa HD e o mapeamento de tela não funcionam no iOS/iPadOS.
- O encaixe USB-C rígido quase sempre exige a remoção de capinhas de proteção do celular.
O que esperar na prática: do conforto absoluto aos limites do hardware
Na prática, usar o Razer Kishi Ultra é esquecer que você está jogando em um celular. O formato imita o controle Razer Wolverine V2, preenchendo completamente as mãos e evitando cãibras em sessões longas de jogos de tiro ou corrida. A resposta dos comandos é instantânea, mérito da conexão física USB-C, o que torna a experiência em serviços de nuvem (como Xbox Cloud Gaming e GeForce Now) totalmente fluida e livre de engasgos na comunicação.
A construção traz botões de ação mecatáteis que oferecem um clique mecânico rápido, mas com um fundo macio, resultando em ativações prazerosas e precisas. No entanto, é fundamental alinhar as expectativas sobre os analógicos: embora os gatilhos traseiros utilizem sensores magnéticos (Hall Effect) imunes ao desgaste, os direcionais analógicos (os "sticks") usam componentes tradicionais Alps. Eles são extremamente suaves no uso diário, mas não estão livres do risco de apresentar o temido drift a longo prazo. Outro ponto prático é o encaixe: a ponte traseira expande incrivelmente bem até 210 mm, acomodando um iPad Mini, mas o conector USB-C exige que o aparelho esteja nu. Capinhas grossas impedirão o contato.
Para quem vale e para quem não vale o investimento
O Kishi Ultra vale muito a pena para entusiastas do ecossistema Android e donos de tablets pequenos que desejam a melhor ergonomia possível e não se importam em remover a capa do dispositivo a cada jogatina. Ele também brilha para quem alterna entre o celular e o PC com Windows 11, podendo ser usado via cabo como um controle de computador convencional.
Em contrapartida, ele não vale a pena para jogadores focados em mobilidade extrema, já que seu chassi não dobra ou encolhe o suficiente para caber em bolsos convencionais. Usuários da Apple (iPhone 15 e 16) também devem pesar a decisão com cuidado: você pagará o preço integral por um hardware premium, mas o sistema iOS bloqueia a tecnologia de vibração háptica avançada do controle, limitando a imersão geral.
Ficha técnica
- Conexão: USB-C física (baixa latência)
- Compatibilidade: Android 12 ou superior, iPhone 15/16 series, iPad Mini (6ª geração/A17 Pro) e tablets Android de até 8"
- Limites físicos de encaixe: Máximo de 210 mm de comprimento e 13,5 mm de espessura
- Analógicos: Potenciômetros tradicionais Alps (revestimento TPSiV)
- Gatilhos: Analógicos com sensores magnéticos Hall Effect (L2/R2)
- Botões principais: Mecatáteis (ABXY e D-pad), 2 botões multifuncionais extras (L4/R4)
- Áudio: Entrada P2 de 3,5 mm para fones de ouvido e microfone
- Carregamento: Pass-through via USB-C de até 15W (não suporta transferência de dados ou fones via USB-C)
- Vibração: Razer Sensa HD Haptics
- Iluminação: Razer Chroma RGB
Recursos extras: o peso do aplicativo Razer Nexus
O verdadeiro cérebro do controle é o aplicativo Razer Nexus. No Android, ele não apenas serve como uma central de jogos, mas libera o "Modo de Comando Virtual" (Mapeamento de Tela). Essa ferramenta permite arrastar botões virtuais sobre a tela para jogar títulos como Genshin Impact ou jogos de tiro competitivos que não possuem suporte nativo para controles físicos. Vale reforçar que esse modo de mapeamento e a vibração Sensa HD estão restritos ao Android e Windows. No iPhone e no iPad, o controle funcionará perfeitamente para jogos que já possuem suporte a gamepad de fábrica, mas sem a versatilidade de adaptar jogos puramente de toque ou vibrar a cada impacto.